sábado, 14 de outubro de 2017

Trabalho dos sonhos

“O trabalho de vocês é um sonho!” ouvi de uma cliente, às 9 da manhã de um sábado, dia de trabalho que começara às 8h e iria até às 23h. E, com uma expressão clara de surpresa, quis saber o motivo da afirmação. A resposta tinha a ver com trabalhar com alegria, em momentos de diversão.

É impossível discordar dela. Trabalhar no sábado, no domingo, com hora exata para começar, sem fazer ideia de quando vai terminar, às vezes é assustador. Mas é impossível discordar dela. Vou explicar.

Quando eu descobri que queria empreender, eu já era apaixonada pela Cia da Alegria, empresa criada pelo meu pai e que tem o esforço de toda a família em cada partezinha dela. E essa paixão existe porque nos divertimos no nosso trabalho.

Quando uma criança olha, encantada, um algodão doce se formando; quando uma senhorinha pergunta se tem idade máxima para pedir uma pipoca; quando um adulto volta para a fila e, envergonhado, pede para repetir a guloseima... é quando percebemos que vale a pena. Quando o cliente retoma o contato, pede mais um evento, e outro, e outro; quando muitos clientes retornam, nos indicam para novos clientes, é quando percebemos que estamos no caminho certo.

Cada evento, cada trabalho, tem um desafio diferente e precisamos superar. Muitas vezes, precisamos abrir mão de momentos de lazer, de fins de semana completos, trabalhamos das 8h às 23h em pé. Dormimos pouco e cansamos muito. Ouvimos absurdos do tipo “por que você não vai estudar, em vez de fazer pipoca?” ou “você trabalha ou faz só isso?”... Mas cada desafio que a gente cumpre, é um alívio; cada evento que a gente faz, é um sorriso a mais. E nós temos muito orgulho disso tudo.

Nosso trabalho é sim, um sonho – às vezes dolorido, mas um sonho. Porque trabalhamos com carinho, com dedicação e com vontade. E eu acredito que cada trabalho é um sonho, se ele for o seu sonho.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pensando sobre preço e valor


Sabe aquela história de medir a dor do outro com a sua régua? Como a gente sabe quanto algo incomoda o outro, se a gente não vive a vida do outro? Como a gente sabe se algo é caro ou barato se ainda não viveu a experiência da compra?
Warren Buffet, um mestre da administração, deu uma definição (que pra mim é a melhor) sobre preço e valor: preço é o que você paga; valor é o que você leva.
Vou fazer a analogia com xícaras. Digamos que a xícara x custe R$ 5,00 e a xícara y custe R$ 10,00. Ambas tem a mesma função e isso é indiscutível. Porém a “asa” xícara x é tão fraca que o usuário precisa segurar pelo corpo da xícara e queimar os dedos com o café quente.
Então o valor da xícara y está no conforto de beber seu café com segurança e não nos R$ 5,00 a mais que ele custa. Resumidamente, é assim que a gente mede o valor de algo: pela experiência.
Quando  você  visita alguém que você gosta e que mora em outra cidade, quando você conhece um lugar novo, como você calcula se valeu a pena? Pelo dinheiro que gastou para chegar lá ou pela experiência que viveu?

Já diz Oscar Wilde: “cínico é quem sabe o preço de tudo e não conhece o valor de nada”.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

sobre construir aviões

“Empreender é se jogar de um precipício e construir um avião durante a queda” Reid Hoffman.
Essa frase, desse cara que é criador do Linkedin, me fez pensar. Querer empreender é um pouco louco. Eu nunca parei pra calcular tudo o que poderia acontecer quando pensei “vou empreender”. Aliás, eu pouco sabia sobre o que envolve a atividade.
No começo, mesmo querendo empreender, eu preferia ficar onde era seguro – não tinha percebido que não dá pra empreender sem arriscar. Não fazia questão de aceitar algum trabalho grande demais por medo, porque achava que não daria conta. Mas a gente sempre dá conta se for comprometido e no mínimo organizado.
E todas as vezes que arrisquei aceitar algum desafio... adivinhe! Cheguei viva no final, mais forte, mais motivada, querendo o próximo.
Se jogar de um precipício deve dar medo, né? Meter a cara também. Empreender também dá medo. Aliás, não me lembro de qual foi a última vez que eu tentei algo novo e não senti medo.  O medo me deixa atenta, faz eu me movimentar. E esse movimento, pra mim, é aprendizado... Aprendi a planejar os dias, organizar as tarefas, cumprir etapas do trabalho, fazer o que precisa ser feito, e tantas outras coisas que aprendo diariamente sem nem me dar conta. Apesar de ter muito o que aprender ainda, foi assim que comecei a construir aviões.
Eu ainda não sei tudo o que envolve o “empreender”. Talvez nunca saiba - considerando a loucura que é isso. Mas sei que construir um avião durante a queda é muito mais emocionante do que ficar onde é seguro, sem o vento no rosto e sem adrenalina. E o mais legal de construir o próprio avião é que ele nos leva pra outros precipícios - mais altos.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

como assim, faz pipoca?

Hoje fiquei pensando como explicar quando não entendem meu trabalho na Cia da Alegria.
Em tese, fazemos pipoca e algodão doce para eventos. Qualquer tipo de evento ou ação - aniversário, casamento, inauguração, promoção, ação de marketing... Vocês contratam, a gente faz, distribui com alegria e atenção.

Na prática, tem muita coisa por trás. A gente também conversa, se diverte, conhece gente nova, encontra gente velha. Leva queimão, pipoca estoura na cara, milho quente pula dentro da blusa, óleo quente pinga na mão.
Limpa máquina, limpa panela, pote, colher. Corre atrás de material, pensa em novas opções, organiza tudo de novo. Estuda concorrentes. Atende telefone e tem mais um evento. Um grandão, um pequeno, um que a gente já conhece, um novo desafio.
E começa tudo mais uma vez: faz pipoca, faz algodão, leva outro queimão, recebe em troca um sorriso, um abraço, um #gratidão-pela-gentileza.
E no fim, tem quem não entenda o que eu faço, tem quem me pergunte o que eu faço, ou ri do que eu faço.
Mas eu só respondo: a gente faz pipoca, faz algodão doce, e faz gente feliz.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

pergunta de leigo

Esses dias uma pessoa (23 anos, da comunicação, trabalha em agência digital) me perguntou se é possível "viver de pipoca". Questionou já se justificando: "é uma pergunta de leigo".

Todo dia a gente ouve que precisa pensar fora da caixa. E todo mundo já o faz: agora não bate mais ponto, faz homeoffice, de vez em quando usa app de carona ou vai de bike pro trabalho. Usa vestido com tênis, mix de estampas e etc.
Pensar fora da caixa, então, é-só-issoOu será que ainda estamos presos em padrões e pensamentos ultrapassados? Será que nossas ideias são mesmo tão novas?

Foi difícil responder a pergunta. Mas hoje em dia, se bobear, dá pra viver sem comer, dá pra viver de fotossíntese; dá pra viver sem trabalhar por meses... 

Perguntar se dá pra viver trabalhando com pipoca não me ofende. Em outros tempos me ofenderia, mas hoje só me faz pensar se vale a pena responder uma pergunta tão old times como essa.

oi, tudo bem?

Eu sou Aline, tenho formação e paixão por marketing. Adoro os conceitos e as infinitas possibilidade de tornar o mundo dos negócios mais leve. 
Mas em um momento da vida, precisei escolher. E escolhi a Cia da Alegria, empresa criada pela minha família, que trabalha com locação de brinquedos e fornecimento de pipoca e algodão doce para eventos. Eu trabalho praticamente só com as guloseimas, enquanto meu pai faz mais a parte dos brinquedos.
Quer dizer, simplificando, eu sou pipoqueira. A Aline das pipocas 🍿

Este blog conta histórias ligadas ao marketing, conceitos que posso aplicar à simplicidade do meu trabalho. 
Também conta histórias que eu vivo na minha tentativa de empreender e tornar o mundo todo mais leve, com diversão e gostinho de infância.
São textos simples, despretensiosos, mas cheios de sinceridade e bom humor. E às vezes um pouco de ironia - porque sou dessas!