domingo, 13 de março de 2011

estratégias ::

"Passamos por algumas das salas de reunião, também identificadas por nomes de espetáculos: La Nouba, Nouvelle Experience, Zumanity. Algumas  delas davam para um dos gigantescos estúdios para ensaio, que devia ter uns seis andares de altura. Sem vidros fumês nem portas de aço para bloquear o fluxo de luz ou de gente, o clima era aberto e convidativo. Ao  passarmos por vários escritórios, entreouvi discussões joviais, pontuadas por explosões de riso aqui e ali.
- Vamos para o... Quidam – anunciou Diane. Sentei-me numa das oito poltronas e olhei pela janela. Levei um susto ao ter a impressão de ver alguém se materializar por um instante do outro lado do vidro antes de desaparecer. Quando ele voltou a cruzar meu campo de visão, um momento mais tarde, percebi que não era alucinação.
Diane explicou que os artistas estava, ensaiando seu novo espetáculo no estúdio ao lado.
Levantei e fui até a janela, encostando o rosto no vidro, igual a um garoto num lava rápido de carros. Toda a sede do Cirque du Soleil me lembrava um fantástico parque de diversões; era como ver o mundo pelos olhos de uma criança. No estúdio de ensaios aos nossos pés, alguns artistas estavam amarrados numa espécie de cinto de segurança, com longas cordas elásticas presas a cada lado do quadril, e pulavam a dez ou doze metros de altura, dando saltos mortais, cambalhotas, giros, agarrando-se a trapézios presos no teto – até soltarem de novo, em uníssono, em pares ou trios.
- Detesto interromper seus devaneios, Frank, mas precisamos dar uma olhada no contrato de Cari – disse Diane, olhando uns papéis sobre a mesa. –Se estiver muito difícil para você se concentrar, posso fechar as persianas.
-Não! Não precisa, não – redargüi, voltando com relutância ao meu lugar, e incapaz de tirar os olhos daquela janela.
-Vou te contar um segredinho –sussurrou ela, em tom conspirador. – Quando é uma negociação complicada, fazemos as nossas reuniões aqui. Basta uma empresa de telefonia, fabricante de computadores ou escritório de contabilidade ver o que fazemos aqui para logo quererem fazer parte disso também.
Claro que eu entendia o desejo de fazer parte daquilo. Que bela maneira de convencer um parceiro potencial. Usar uma abordagem criativa como aquela para conquistar clientes para a nossa agência provavelmente seria bem mais eficaz que a mesma velha lenga-lenga de sempre, sobre qualidade, reputação e integridade."



trecho do livro Cirque du Soleil - A Reinvenção do Espetáculo, criado por Lyn Hewerd e escrito por John U. Bacon. Editora Elsevier, 2006





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